Koan, o salto quântico para a natureza

19/01/2015 00:43

"A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."

Fernando Pessoa/Bernardo Soares, in "Livro do Desassossego")

 

Cada pergunta de vida respondida verdadeiramente, com os fluxos de energia oriundos do coração, é um salto quântico. A sincronicidade da pergunta e a intensidade da resposta representam a imersão na realidade quântica.

Toda reação frente a um Koan é uma reação instintiva e original, resultado da provocação koânica em nosso modelo pessoal de realidade. A reação diante do que se mostra aparentemente ilusório e sem sentido nada mais é que a resposta do  inconsciente natural, que percebe as estribeiras conscientes ameaçadas pela Dança de Maya.

Cada vez que somos capazes de responder a uma pergunta-koan que diz respeito ao nosso "modus vivendi", viajamos por outra realidade, adentramos em novas configurações de vida, outras tessituras. Somos capazes de experimentar outros véus, vivenciar outras ilusões de mundo - pois toda concepção de mundo nada mais é que mais uma ilusão, que vem somar-se a todas as outras no arcabouço histórico-filosófico-artístico da humanidade.

A Filosofia e a Poesia têm esse poder de nos fazer mergulhar, consciente ou inconscientemente, em realidades multifacetadas e diversas. O próprio koan exibe estas duas formas de arte distintas, mesclando-as e fazendo gerar novos resultados sincronísticos.

Ambas as artes, Filosofia e Poesia, nos mostram vários modos de perceber a realidade, fazendo-nos reconhecer o mundo através das aparências e das imagens com que percebemos o mundo. A Religião trabalha maravilhosamente com estas duas vertentes do saber humano.

Todo o mundo de imagens poéticas suscitados pelo koan são reflexo de sua força e grandeza, demonstrando que ele não só atinge a porção racional do homem como também alcança o domínio inconsciente que não aceita rédeas.

Quanto mais profunda for a provocação do koan, mais profunda e transpessoal será a resposta, atingindo o inconsciente coletivo atemporal e pleno de imagens transculturais.

E é muito saudável brincarmos com essas aparências e imagens, pois elas nos remetem à nossa gema central, à imagem do ovo eterno atemporal, que é nossa verdadeira essência cósmica interior.

 

[© Rosy Feros, 1999. Inspirada por texto de Gazy Andraus sobre koans]

 

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"O objetivo principal do ser-homem é o de viver com plenitude aquilo que ele pensa ser a felicidade. E livro algum pode esclarecer a veracidade da afirmação que acabo de fazer, por uma simples questão: se o livro foi feito, é por que com certeza seu autor estava na busca de seu objetivo (assim como eu estou no meu quando redijo tais pensamentos).

Jiddu Krishnamurti costumava responder às questões de seus ouvintes através de outras perguntas, subdivisões da  anterior/inicial. Se a pergunta versava sobre o medo da morte, o indiano inquiria se o interlocutor sabia o que era a vida...ou se ele vivia realmente, visto que sua mente divagava entre o futuro desconhecido e o seu memorizado passado, e nunca se satisfazia com o momento presente, apenas "fugia" do mesmo. Em suma, o filósofo fazia o inquiridor "travar" seu próprio modus operandi, ou seja, que ele cessasse o pensamento exclusivamente racional, dando lugar ao intuitivo, fazendo a mente dar saltos "quânticos". O "Koan" (tipo de frase aparentemente sem sentido) oriental também fita o mesmo objetivo. (...)"

 

[Gazy Andraus,1999]

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