Rosy Feros e Eliana Mora se entrevistam para o Site Escritas

 

 

Rosy: "Nasci em Santos/SP em 1971, formei-me em Publicidade e Propaganda e pesquiso novas tecnologias da Comunicação, Psicologia e redes telemáticas. Já participei de várias coletâneas poéticas impressas, tenho inúmeros poemas e ensaios publicados na internet e em julho/2000 lancei no RJ o livro de Poesia "Tecendo Diários", pela Ed. Blocos.

Eliana: Acha que se pode "fabricar" poemas [conseqüentemente poetas] usando o Método?

Acho que sim, desde que se use a fôrma para dar um melhor aspecto ao bolo... ;-) Mas penso que "fabricar" poemas é uma coisa, e "fabricar" poetas é outra. Um poeta, a meu ver, é capaz de fabricar belíssimos poemas com o auxílio de técnicas e métodos, mas não acredito que se possa criar um poeta a partir do método ou de uma disciplina qualquer. Um poeta faz-se, até independente de sua própria vontade. Constrói-se a partir de experiências de vida.

Eliana: Como vê o poeta hoje dentro deste enorme universo que existe dentro da Internet?

Sinto os poetas, especialmente, e os escritores de uma forma geral muito à vontade na rede, abertos e sedentos para ocupar e conhecer os espaços, sem temer falhas e inabilidades tecnológicas (mal-estar crônico desta última década), sem tecnofobias. Por isto, penso que eles estão a construir, com suas experiências poéticas, o tom e o ritmo da nova geração da internet.

Eliana: Crê que os espaços "reais" também estão se abrindo porisso [para o poeta desconhecido]?

Sem dúvida! Nunca vi tantos programas de TV falando sobre literatura, entrevistando escritores. As novelas voltaram a falar de poesia, a declamar poetas e indicar livros; a publicidade tem usado poesia em seus anúncios. Acho engraçado, pois nunca se falou tanto que a poesia é esquecida pela mídia e, no entanto, a tenho visto despontar com freqüência,  lado a lado dos ensaios e traduções.

Eliana: Rosy a mulher e Rosy a poeta - são uma?

Sim. Com a diferença, talvez, de que a Rosy-mulher nem sempre tem espaço para liberar explicitamente seu lado poético - embora o faça inadvertidamente, sempre, queira ou não queira. Rosy Feros não é pseudônimo literário, mas uma forma poetizada de mim - minha síntese poética, vamos dizer assim.

 

Eliana: Nasci aqui no Rio,sou jornalista, maria, faz-tudo e poeta...Para sobreviver a gente faz de tudo um pouco... Meu primeiro   livro ainda não saiu, mas está preparado há um bom tempo - e eu vou mudando, mudando...gosto muito de ministrar cursos de interpretação poética. Para todas as idades. Quando eu puder farei isso como voluntária, e será para idosos [como já fiz.] O que me aconteceu de muito, mas muito bom este ano foi a parceria com Tania Regina - no Mar de Poesias.

Rosy: Tanto o jornalismo como a literatura são formas de expressar a vida em textos. Para você, que realiza ambos, são duas atividades distintas, ou eles se alimentam mutuamente?

Rosy, creio que todas as experiências que possamos acumular se entrecruzam em nosso trabalho, em nossa vida. E no caso de meu trabalho, é importante, sim. O mais importante de tudo, a meu ver, é a sensibilidade para captar as coisas [entender é diferente] deste mundo...

Rosy: A internet, por si só, influenciou sua forma de produzir poesia? O uso que você faz de colchetes nos poemas deve-se a isto, é reflexo da influência que a rede está a operar na escrita contemporânea?

Não. Foi uma fase, que até está diminuindo, e que surgiu antes de eu estar "freqüentando" o mundo virtual. Aos poucos eu vou colocando em determinadas ocasiões, somente quando sinto muita necessidade de colocá-los, é isso. Nada, em mim, na minha poesia, é - nunca foi - estudado. É assim.

Rosy: Acredita que os escritores ou, mais precisamente, os poetas têm algo a contribuir para as novas formas de escrita a serem desenvolvidas em meios eletrônicos como a internet?

Os poetas - a meu ver - têm sempre algo a acrescentar em qualquer plano, a qualquer momento, seja no deserto, seja pela Internet. Mas veja bem - eu disse poeta [de verdade]...Claro que o instrumento propicia procurar elementos novos, atiça a curiosidade. Mas não creio que o Novo ou diferente dependa deste ou daquele instrumento...

Rosy: Tem para si que "ser poeta é uma coisa de nascença"?

Sim - eu mesma passei por essa experiência. Meu pai é poeta, inclusive fazia letras de música que foram cantadas pelas "rainhas do rádio" em período áureo da Rádio Nacional, aqui no Rio. Ainda era bem garoto e acabava apanhando do pai -- mas ia... Portanto, eu posso dizer que herdei "ser poeta" . Mas acontece que poderia não ter desenvolvido isso: mas desenvolvi.
Ou melhor dizendo: " a coisa me pegou" e eu me deixei ser agarrada por ela...

Rosy: Como professora de interpretação poética, acha que a interpretação bela e eficaz de um texto é algo que pode ser alcançado por qualquer pessoa amante de literatura, ou é dom natural que se desenvolve e se aprimora? O autor de um texto literário é, de fato, a melhor pessoa capaz de interpretá-lo?

Não - não acho. Há treinamentos e regras que ajudam - se bem seguidos podem colocar uma pessoa apta a dizer e interpretar poemas . Mas o dom ajuda muito. O autor pode até não ser o melhor [seguindo o pensamento] para interpretar seu texto. Ah - também pode ser tímido. Aí a coisa pega... muito do que se vê, em termos de interpretação, é preparar antes a pessoa para falar em público. O fator timidez [em minha experiência] é o que mais "esconde" o autor de dizer seus ou outros poemas. E de se apresentar - até de conviver pessoalmente com outros poetas - e pessoas, em geral.

 

[Publicado originalmente no site da lista de discussão literária "Escritas", em dezembro/2000, no endereço: http://www.escritas.hpg.ig.com.br/rosy12-00.htm ]

 

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