Mulheres que conversam demais

07/09/2014 19:35

As mulheres estão compartilhando suas experiências on-line. Isto não é mais uma utopia feminista, tampouco um sonho para o futuro. É fato real, estatisticamente comprovável, que já está acontecendo no Brasil e no resto do mundo conectado.

Na realidade, as mulheres estão redescobrindo a rede. O número de mulheres a participarem de chats, fóruns e listas de discussão é crescente e promete aumentar muito mais. Como tem acontecido com mulheres de outros lugares do mundo, as brasileiras também estão se deliciando com as múltiplas possibilidades que as experiências interativas oferecem, confirmando estatisticamente a opinião comum de que as mulheres são mais e melhores comunicadoras que os homens.

As mulheres estão conseguindo extrair benefícios dos diversos recursos tecnológicos atuais, principalmente da internet, ao contrário das exaustivas previsões apocalípticas sobre as possíveis conseqüências danosas do uso progressivo das novas tecnologias

Ironicamente, muitos dos teóricos famosos que anunciaram que as relações humanas se tornariam áridas e destituídas de valores humanos com o advento da internet são homens. Ironia ou fato antropológico? A História e a Antropologia Social podem nos dar pistas a respeito de como as mulheres, na maioria dos casos, usam a tecnologia de forma diferente dos homens.

As mulheres parecem compreender melhor as ferramentas, encarando-as além de sua aparente e singela funcionalidade. Talvez por questões de aprendizado social, as mulheres tendem a se preocupar mais com o coletivo e com a forma de se relacionar com o ambiente em que vivem. Os homens, por sua vez, tendem a desenvolver uma visão mais individualista do mundo, e o uso que fazem das ferramentas tecnológicas reflete uma forte preocupação com poder e status.

Na internet, podemos observar que a maioria das mulheres não está preocupada com os avanços tecnológicos de último tipo, mas sim com o que fazer com tanta tecnologia - qual a sua função social e como elas devem ou podem ser usadas. Afinal de contas, as mulheres não querem a tecnologia por si, elas querem é se comunicar.

Tanto é assim que a menina dos olhos das mulheres conectadas é o e-mail. Quer ferramenta tecnológica mais feminina que o e-mail? O público feminino descobriu o e-mail e está incrementando seu uso, ampliando e recriando os espaços comunitários na rede.

Os homens, quando usam e-mail, geralmente não têm tanta paciência quanto as mulheres para exercitar a linguagem nas comunicações por e-mail. Encaram-no, muitas vezes, como um recurso similar ao um memorando ou telegrama, quando não emitem simplesmente um aviso do tipo S.O.S..

São as mulheres que, usando o e-mail como um misto de carta e telefonema, desdobram-se em se comunicar em busca da forma mais eficiente possível. E o usam tantas vezes quanto for necessário, utilizando recursos multimídia como aliados para compôr suas mensagens.

Para muitos, entretanto, isto não deveria ser novidade, visto que a linguagem parece ser uma habilidade geneticamente feminina. Mas muitos experts em marketing esquecem de avisar seus clientes (ou não sabem) que comunidades de consumo na internet não podem ser "criadas" do nada, da noite para o dia, pois seu desenvolvimento dá-se em função dos ritmos naturais da comunicação humana e, portanto, demanda tempo. As mulheres são criadoras-natas de comunidades, e eu não entendo como tem gente que demora para entender isto. Elas têm paciência, perseverança e as habilidades necessárias para construir todos os nós que uma rede de contatos necessita. E isto da forma mas natural e espontânea possível.

No Brasil, já sabemos de vários grupos organizados por & para mulheres ao redor de variados temas, como artes, negócios, notícias, entretenimento. Embora ainda incipiente, podemos dizer que a internet brasileira já tem comunicação segmentada para mulheres.

Em outros países da América Latina, também encontramos vários exemplos de sites voltados para as questões do mundo feminino.

Freqüentemente, esses sites são desenvolvidos por agências de produção de informação que são "filiais" de empresas pontocom norte-americanas, reproduzindo conteúdos muitas vezes generalizados ou desterritorializados, alheios às reais necessidades locais.

Já nos EUA, o ponto de origem da internet como conhecemos, há vários produtos femininos de sucesso. Aliás, muita gente tenta aproveitar a fama desses "pontos de origem" da internet a fim de conquistar uma fatia do amplo e vasto mercado consumidor feminino. Nem sempre a adaptação de conteúdos estrangeiros (que, supostamente, são "sob medida") é válida, mas a intenção de produzir algo especialmente dirigido às mulheres é, com toda certeza, bastante louvável.

[© Rosy Feros, 2002]


 

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