Neoluditas e os amantes do que não morre

Neoluditas, quem sois...?!

A vossa voz é forte, mas não é inatacável. A voz do futuro clama e é imperial. Não podemos nos dar o luxo de sermos antiquados! As nossas ideologias já são um antiquário de velhas fórmulas, equações desclassificadas pela voracidade do tempo...

Onde ficou perdida a nossa voz...? Em que ramificação elétrica ficou perdida, em que transmissão televisiva aprisionada...? Já não sabemos mais ser chamados pelos nossos próprios nomes, pois sofremos de uma angústia existencial - síndrome digital. Anamnese mnemônica midiática.

Somos aqueles criados pela mídia, orquestrados e coordenados pela cultura medial, criados na ficção dos informativos, compostos de bits & bytes, sacolejando pixels da mais pura virtualidade...

Quem somos nós, amantes do que não morre, viciados pelo que nunca perece? A juventude neopata ama o novo, bonito ele lhe parece, salvador é de todas as mágoas e depressões...

No mundo virtual, não existem mais ups and downs - mas upgrades and downloads. Nada se cria, tudo se transfere - de um arquivo para outro... A profusão de idéias é tanta que não cabe num corpo só. Cria-se então uma aldeia global: de emoções digitais e idéias analógicas.

Qual o tempero para tamanha salada? Apenas a mistura satisfaz aos mais variados e exigentes paladares.

Mas, querendo agradar a todos, descobrimos que o melhor tempero é aquele que fazemos segundo nosso próprio gosto, sem seguir etiquetas pré-determinadas.


[© Rosy Feros, 1996. Publicado na coluna "Telemática", do site "Casa de Arabella" - https://www.casadearabella.com.br]

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