Literatura e cacofonia de começo de século

Depois da música ou junto com ela, a Literatura é uma das manifestações mais primitivas do homem civilizado. Não há sociedade humana que não tenha sua literatura própria e seu cancioneiro popular.

Desta forma, a Literatura traz em si a essência do repertório cultural de um dado grupo social, revelando suas características de identidade,  preocupações, interesses e visão de mundo.

A Literatura de hoje, como qualquer outro produto cultural, reflete bem a nossa cacofonia histórica. Vivemos em uma época de intensos resgates e dessacralizações, em que misturamos o novo e o velho sem a menor hesitação ou escrúpulo. E a literatura, naturalmente, absorve e assimila todas essas misturas, revelando-se multifacetada e multiforme.

Vêem-se, hoje, vários estilos literários reunidos sob um único mote: velocidade. Nesta nossa época repleta de mutações, não temos mais tanto tempo para uma literatura de contemplação, nem para leituras lineares e monotemáticas. Cada vez mais tornam-se prementes a visão multidisciplinar, a leitura a-linear e a navegação por camadas de hipertextos.

A literatura, de livro na estante, passou a ser reescrita e transcrita quase em tempo real nas bases de dados online. E os escritores, de homens tocados por Deus, tornaram-se os mensageiros telemáticos dos e-mails nossos de cada dia.

[© Rosy Feros, 2001]

 


 

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